sábado, 29 de março de 2008

Recomeço


A arte do recomeço não está conectada ao esquecimento; conexões que se gostaria de perder ou fazê-las mais fracas, simplórias, sem detalhes.

Pelo menos não a minha. Grito ao recomeço para criar meu nome novo dos destroços de antigos outros - um processo de autofagia temporal que me fará não outro, mas além do que fui (o que poderia ter sido?).

As intermitências de uma função comportamental julgarão a frequência de minhas passagens, umas breves outras menos do que deveriam, por este porto.
Escrevo ao recomeço e, como ilustração de mim mesmo, a primeira (escolhida apenas pela força que me põe a escrever):

Do Saber

eu sei
eu sei de tudo
da flor morrendo seca do jegue montado no piano,
sei o que é um cachimbo

uma privada de idéias
rei do medíocre
imperador do mediano
dançando na mediocridade do mediano
mediocridade dourada
aurea mediocritas
ave latim chachorresco

de um dourado verdemeleca
verdemeleca que suja o céu na intersecção do horizonte espadachim com o panodeastros
panodeastros que me encobre
um traponasal
um traponasal grande sabedor de tudo...
de tudo que ninguém quer saber

2 comentários:

Franciele Renata disse...

um dos seus poemas que mais gosto

ao recomeço, pois :)

Brisa disse...

você é tão cruel consigo mesmo...

mas fica bonito :)
e bem feito